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Brasil

Publicada em 05/10/16 às 20:14h - 276 visualizações
Seca coloca quase 1,1 mil cidades em situação de emergência no país

RÁDIO PETROLINA FM 98,3,


 (Foto: RÁDIO PETROLINA FM 98,3,)

Ao menos 1.083 municípios do país, além do Distrito Federal, estão em situação de emergência por conta da seca ou da estiagem, segundo levantamento do G1. Em cinco dos 15 estados afetados, o cenário atinge mais da metade dos municípios - No Rio Grande do Norte, 90% estão em emergência.

O levantamento leva em conta os municípios que decretaram emergência e, posteriormente, tiveram tal situação reconhecida pelos governos estaduais, o que garante o acesso a recursos desses entes públicos.

O Nordeste é a região mais afetada. Lá, todos os estados têm cidades em emergência. A situação, entretanto, também atinge o Centro-Oeste, o Norte e o Sudeste.

Entre as cidades afetadas pela seca estão Rio Branco, onde o Rio Acre chegou a atingir o menor nível da história em 17 de setembro; Vitória, que enfrenta racionamento desde o dia 22 - o município, entretanto, não está na lista dos que tiveram emergência reconhecida pelo governo; e Brasília, onde algumas regiões chegaram a sofrer racionamento de 23 a 25 de setembro. O governo distrital prevê aumentar o valor das contas de água em 20% caso o nível dos dois principais reservatórios caia a 25%.

Além de problemas de abastecimento, a seca tem causado prejuízos à economia. Em Mato Grosso, a produtividade da safra de milho de 2016 caiu 32% em relação à safra 2014/2015, o que resulta numa perda de R$ 32 bilhões, segundo estimativas do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuário (Imea). No Sergipe, a perda de safra de milho atinge 80%. No Espírito Santo, a produção de café robusta caiu 40% em 2016 na comparação com o pico de 2014.

Bahia

A represa de Sobradinho, maior reservatório de água do Nordeste, enfrenta o pior cenário em 85 anos, e pode zerar até o fim deste ano, segundo o ministro de Minas e Energia, Fernando  Bezerra Coelho. Atualmente, o índice está em 10,35%.

O reservatório é o principal gerador de energia elétrica do Nordeste e, para evitar o agravamento da situação, a Companhia Hidrelétrica do São Francisco (Chesf) pretende reduzir o volume de água retirado do local. Na segunda-feira (26), o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) emitiu uma autorizaçãode redução de 800 m³ por segundo para 700 m³ por segundo.

Além disso, dois outros importantes reservatórios estão com níveis baixos: a barragem de Água Fria II, que fornece água para o município de Vitória da Conquista; e a de Iguape, que atende Ilhéus. Nas duas cidades, o abastecimento de água funciona em esquema de rodízio desde o primeiro semestre deste ano.

Pernambuco

Assim como na Paraíba, mais da metade dos municípios pernambucanos estão em situação de emergência. São 125 dos 185. Mais da metade dos 87 reservatórios monitorados pela Agência Pernambucana de Águas e Clima estão em colapso, a maioria deles no sertão.

Nestes últimos 5 anos, as médias anuais de chuvas foram negativas em todas as regiões e, por isto, os níveis dos reservatórios foram reduzindo, sistematicamente ano após ano, até chegar a situação de colapso, segundo a Apac.

Dentre os reservatórios com pouca ou nenhuma água estão o de Barra do Juá, que fica em Floresta, e o do Chapéu, em Parnamirim. No agreste, o Jucazinho entrou em colapso em 26 de setembro, prejudicando o abastecimento de 200 mil pessoas.

Previsão

A previsão do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) para os próximos três meses — outubro, novembro e dezembro -, mostra que as chuvas devem se comportar de forma variada dependendo da região do país.

Por exemplo, em alguns estados do Nordeste, como Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas e Sergipe, são esperadas chuvas acima do normal. A região central da Bahia, no entanto, deve ter menos precipitação que o normal.

De acordo com a meteorologista Odete Chiesa, do Inmet, o Nordeste sofre com a seca há pelo menos quatro ou cinco anos. "Ano passado isso ocorreu bastante com relação ao El Niño, choveu muito no sul e pouco na parte mais ao norte do país. Este ano, isso se deve à ausência de passagem de frente fria, e a região Amazônica também está bem mais seca, demorou mais para ter as primeiras chuvas".




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